Quando alguém descobre que sou speaker de uma empresa, a primeira reação costuma ser ceticismo. É natural. O mercado estético tem uma relação com o marketing que nem sempre é transparente, e o paciente que chega ao consultório hoje já aprendeu a questionar.

Então deixa eu ser direto antes de qualquer explicação técnica: eu usaria Xeomin independente de qualquer relação comercial com a Merz. A parceria veio depois da convicção clínica, não antes. Se amanhã um estudo robusto mostrar que outra formulação oferece vantagens significativas, mudo de produto e mantenho a transparência sobre isso.

O que vou apresentar aqui é a lógica por trás da minha preferência.

O que é o Xeomin

Xeomin é o nome comercial do incobotulinumtoxinA. Contém a mesma molécula ativa do Botox e do Dysport, toxina botulínica tipo A, e produz o mesmo efeito clínico essencial: bloqueia temporariamente a junção neuromuscular, relaxa o músculo e suaviza as rugas dinâmicas.

O que diferencia o Xeomin não é o que ele tem. É o que ele não tem.

A questão das proteínas acessórias

Toda toxina botulínica é produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Durante a produção, a toxina se liga naturalmente a proteínas complexantes, chamadas de proteínas acessórias ou NAPs.

No Botox e no Dysport, essas proteínas permanecem na formulação final. No Xeomin, elas são removidas por purificação adicional. O resultado é uma toxina isolada, sem proteínas acessórias.

Por que isso importa? As proteínas acessórias são proteínas estranhas ao organismo. Com o tempo e as aplicações repetidas, o sistema imune pode reconhecê-las e criar anticorpos contra elas. Esses anticorpos podem, eventualmente, também atacar a toxina em si, reduzindo ou anulando o efeito do tratamento. É o que se chama de imunogenicidade.

O que a literatura diz

Estudos publicados em Toxicon e no Journal of Neural Transmission mostram que a formação de anticorpos neutralizantes, aqueles que realmente comprometem o efeito, está associada à carga antigênica da formulação. O Xeomin, por ter menor carga proteica, apresenta menor estímulo imunogênico. Para quem pensa no tratamento como algo de longo prazo, essa diferença não é teórica, ela é clinicamente relevante.

O Xeomin funciona diferente?

Clinicamente, o efeito é o mesmo. Mesmo início de ação, mesma durabilidade, mesma indicação. A diferença está no perfil de segurança ao longo do tempo, não no resultado imediato da aplicação.

Para o paciente que faz uma aplicação por curiosidade, a diferença pode ser irrelevante. Para quem pensa em manter o tratamento por anos, ela importa.

Raciocínio clínico e longevidade do resultado

A escolha do produto faz parte do planejamento. Dose, pontos de aplicação, intervalo e produto, tudo isso define quanto o resultado vai durar e como vai se comportar ao longo dos anos. Meu objetivo com a toxina botulínica não é resolver o problema de hoje. É construir um tratamento que evolua, que o músculo aprenda e que o paciente precise de cada vez menos para manter o mesmo resultado.

Perguntas frequentes

Xeomin é mais fraco que o Botox?

Não. A potência clínica é equivalente. A diferença está na formulação, não na eficácia.

Xeomin dura menos?

A durabilidade é comparável às outras formulações de toxina botulínica tipo A. Estudos clínicos mostram perfis de duração similares ao Botox e Dysport.

Se já faço Botox há anos, vale a pena trocar?

Se você tem resultado satisfatório e nenhuma evidência de redução de efeito, não há urgência. A questão da imunogenicidade é mais relevante para quem está começando o tratamento ou para quem já percebeu que o produto começa a durar menos.

O Xeomin é mais caro?

O preço varia por clínica e região. O investimento deve considerar o perfil de segurança ao longo do tempo, não apenas o custo por sessão.